quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Loja de brinquedos para adultos

Capítulo 2 para quem não leu e quiser acompanhar

Primeiro: eu gostaria de pedir desculpa, faz 2/3 semanas que eu fiquei de postar a continuação do conto e acabei não continuando
Segundo: para me redimir vou postar dois capítulos hoje, o terceiro e o quarto.

Boa leitura.

Capítulo 3 - Dois-em-um: vagina e ânus, em silicone e látex

"Ai, meu Deus, será que dói?", cantarola a garota, balançando a cabeça esportivamente. Todos parecem se movimentar com maior naturalidade dentro da loja, embora ela continue a olhar apenas para o vendedor e para as prateleiras que guardam uma variedade de duas centenas de brinquedos para jogos do amor. Numa ponta do balcão, um rapaz com aparência de office-boy namora a capa de um vídeo intitulado 30 machos para Sandy. Na outra ponta, o executivo de terno cinza já desisitiu do alongador de pênis e agora está entretido com uma geringonça muito mais mirabolante: um conjunto de vágina e ânus numa massa de silicone e látex cor de pele, reproduzindo um corte dramático num corpor feminino. A peça de três quilos e trinta centimetros de altura tem dois canais independentes para penetração e vibrador com várias velocidades. Custa por volta de trezentos reais e é muito funcional, como sussurrou o vendendor num tom brincalhão ao lhe passar o objeto. "É o essencial de uma mulher e você não precisa levar pra jantar, nem dar presentes no dia dos namorados".
Depois de vinte minutos no sex shop, a garota olha o relógio mais uma vez e devolve o adstrigente, "não vou levar não, preciso antes consultar as bases lá em casa", diz enigmática. Falta apenas um conjunto de prateleiras para ela vasculhar - aquele que estão enfileirados os vibradores em forma de pênis. O vendedor inclina o corpo e prepara a estocada final - "Temos vibradores de silicone maciço fabricados em Los Angeles, Frankfurt e Hong Kong, a partir de duzentos e cinquenta reais. Aceitamos cheque pré-datado, cartão..."

Capítulo 4 - Um alentado pinto de vinil, cor de laranja

A garota não sorri mais e os diálogos agora são mais rápidos. Ela pede para ver um pênis alaranjado, que manuseia com cuidado, apertando nas pontas. "Esse é nacional, de vinil injetado", informa o vendedor. "Sai bem mais barato, setenta reais..." A garota faz uma contra-oferta, "dou cinquenta...". Negócio fechado.
Quando ela sai, mais ligeira do que entrou, o vendedor da um peteleco no tampo de vidro do balcão, "ufa, essa custou, mas eu sabia desde o início que ia vender um pinto para menina". Com a boca torcida, o vendedor faz uma expressão de prazer ao introduzir o cheque no bolso da camisa, aos pouquinhos. "Desse negócio eu entendo", congratula-se ele, aproveitando o momento em que a loja está vazia de fregueses.
O vendedor, um gaúcho de 29 anos chamado Milton, é na verdade o dono da sex shop. Mais que isso: apesar da sua aparência humilde, com os cabelos pretos e curtos penteados curiosamente para frente. Milton começa a esplahar uma rede de lojas em São Paulo - além dessa daqui e de outra a duas quadras de distância, num dos pontos comerciais mais nobres dos Jardins, ele abriu recentemente mais um estabelecimento no bairro classe média do Sumaré, não muito longe dali. "São lojas discretas, sem aquelas fachadas pretas e o clima pesado das sex shops do centro da cidade", orgulha-se o proprietário, que toca o negócio com dois outros vendedores e mais a mulher, Eunice, uma loira do rosto redondo e olhos azuis, com quem tem uma filha de 5 anos. Essa pequena e aguerrida equipe que vive se revezando nos três endereços, procura dar um toque quase familiar no atendimento à clientela - ou, no mínimo, um tratamento adequado as diferentes necessidades de cada um que decide cruzar a porta de entrada de uma sex shop.
"Boa sacanagem!", disse Milton, por exemplo, ao se despedir alegremente de um freguês que levou um pênis de silicone de trezentos e cinquenta reais no fim da tarde.
Ele tomou essa liberdade porque reparou bem no cliente - um rapaz muito bem vestido, com um sobretudo negro fechado até o pescoço, sapatos possilvelmente ingleses, óculos com lentes verdes quadradinhas e sem o menor traço visível de homossexualidade. Milton concluiu que o rapaz buscava o acessório para um festinha mais animada com algumas garotas e parece ter acertado na mosca. O cliente nes discutiu o preço (receberia um desconto de até cem reais, se soubesse chorar) e ainda assim saiu feliz da vida, com seu volumoso embrulho no bolso do sobretudo.
Para um cavalheiro ou uma senhora que entre na loja com um ar mais sombrio, constrangido até, Milton reserva um tratamento mais respeitoso, de fundo psicológico. O vendedor não faz qualquer pergunta embaraçosa, mas está sempre pronto para ajudar no que for preciso. Problemas de ejaculação precoce? Frigides? Tédio na relação? As sombrancelhas do empresário erótico se juntam, numa expressão solidária e compreensiva de quem pode ter a solução para quase tudo, em seu mundo mágico de carinhos movidos a pilhas e de aditivos para os sentidos mais variados.
- Querro valar sobre um endurecedor de pênis que comprrei de vocês - diz um sujeito com forte sotaque alemão
- Pois não - atende Milton
- Non vunciona
Milton junta as sombrancelhas e faz um gesto mudo de reprovação para Américo, o vendedor que divide com ele o atendimento na loja. Pela descrição do produto, é natural que não funcione: em vez de enrijecedor, Américo deve ter embrulhado por engano um lubrificante anal. Milton sugere a troca do preparado, sem entrar em maiores detalhes e o alemão parece satisfeito.
Muita gente vai em uma sex shop em busca de milagres. A ilusão mais comum é imaginar que existe uma poção para excitar as garotas quimicamente - até existe um preparado em conta-gotas chamado Tatty, que supostamente provocaria esse efeito. O distinto freguês levaria sua musa a um bar, por exemplo, e quando ela fosse retocar a maquiagem no toalete ele pingaria algumas gotas do preparado no seu drinque; a garota voltaria, tomaria alguns goles e começaria a arder de desejo, como uma vela de sete dias. "É tudo balela", reconhece Milton. "A fórmula tem bastante álcool e deixa a bebida mais forte, só isso". Para não ser acusado de enganar os consumidores, Milton retirou o Tatty das prateleiras de sua loja, mas achaa sinceramente que o produto não fazia mal - pelo contrário, poderia até ajudar de forma indireta o casal a se desinibir. "Sexo tem muito de cabeça. Se um sujeito acredita que alguma coisa começou a mexer com sua garota, ele pode ganahr coragem e ousar mais do que faria normalmente. Se for bem aceito, vai atribuir o sucesso ao preparado."


Continua na próxima quarta - Capítulo 5 - Parece uma vulva, mas...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Loja de brinquedos para adultos

Capitulo 1 - Quem não leu e quer acompanhar clique aqui

Capitulo 2 - Poção mágica para restaurar a virgindade perdida


Ela se aproxima com seu sorriso de dentes pequenos, que expõe um pouco da gengiva. É uma garota bonita, de atraiar a atenção masculina mesmo fora de uma sex shop. Tem perto de 1,70 metro de altura, cabelos negros e longos que caem sobre um corpo harmonio apertado por um vestido curto xadrez. Olhos claros, uma meia calça branca realça as pernas bem feitas e uma camiseta de mangas compridas, igualmente branca, acompanha a linha dos seios pequenos e firmes. "Sou louca por lingeries", informa ao se apoiar no balcão do vidro.

A garota parace nervosa, porque fala pelos cotovelos. Talvez esteja preocupada em preencher os espaços sonoros, para que ninguém tenha tempo de pensar bobagem dela num intervalo de silêncio dentro da loja. "Não, branca não", diz, recusando o primeiro lote de peças que o vendedor espalha por cima do tampo de vidro, formando um mar de rendas sintéticas. "Só uso lingerie preta ou vermelha." O vendedor estala dois dedos, feito astanholas e mergulha atrás do balcão. A garota segue falando no rumo em que ele sumiu. "Queria ver se vocês tem algum modelo diferente, mas original... Para o meu namorado tanto faz a cor, sabe? Ele é daltônico. Mas eu não uso branca nunca, nunca. Não gosto." O vendedor volta à tona com uma preciosidade que conseguiu pescar no fundo de uma prateleira: um conjunto de calcinha e sutiã de couro.

Ela ri, não se assusta com o preço - oitenta reais - e decide experimentar as peças num provador improvisado no banheiro da loja. Quando volta, tem uma ar desolado. "Ficaria ótimo, mas falta um elástico na parte de cima do sutiã que cai como uma aba", explica para o vendedor, que também lamenta o problema. A garota olha o relógio, que marca uma e meia da tarde e dá um passo na direção da porta, se desculpando pelo tempo que tomou. O vendedor sugere que ela conheça o resto da loja, já que está lá. A garota hesita, mas por fim aceita visitar o balcãos das pomadas e perfumes afrodisíacos. "Mulher é muito curiosa, sabe?" Abre e fecha frascos com líquidos roxos, verdes e amarelos, loções e cremes para quase tudo - um excitante vaginal, um preparado para retardar a ejaculação , um lubrificante para relação anal. - "Divertido!", diz a cada novidade. Está encantadas particularmente com o produto chamado Vagi Sept, que repete a fórmula do Virgin Again, um preparado que fez sucesso no mercado de artigos eróticos com a promessa de restaurar a virgindade de mulheres já experientes. "Mas vai doer como da primeira vez?", pergunta a garota, que está cada vez mais solta na loja. O vendedor esclarece que o segredo da fórmula é um adstrigente que serve para contrair os tecidos da região vaginal, de modo a dificultar a penetração. E custa só cinquenta reais.

Continua no próximo episódio. Próxima quarta. Acompanhem

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Loja de brinquedos para adultos

Capitulo 1 - Bastidores e cenas picantes numa loja de artigos eróticos no coração dos Jardins, em São Paulo
A garota desce três degraus de madeira na ponta dos pés e se vê sobre um tapete persa ilegítimo, mas bem conservado. Ela usa óculos com armação de gatinho e, por trás das lentes grossas, pisca várias vezes para acostumar a visão à penumbra da loja. Peixinhos vermelhos nadam num áquario às suas costas. Dois metros acima, o teto está todo coberto por um tecido com estampas de flores, em tons delicados de rosa e verde. Entre os arabescos do tapete no chão e as flores do teto, pendem da parede cabides com sutiãs de couro preto perfurados com tachinhas de latão, algemas, chicotinhos, uma coleira para pescoços humanos e um tapa-sexo com argolas de metal. Ao longe, descendo mais um lance de escadas, sob uma luz azulada de neón, destacam-se os contornos de vibradores em forma de pênism, enfileirados numa prateleira como soldadinhos de plástico prontos para uma guerra de meninos. "Oi", sorri a garota para o vendedor. "Sabe o que eu gostaria de ver?" Ainda silencioso, o vendedor faz um gesto amplo, englobando por um instante a coleção de pênis, a seção de pomadas milagrosas e o balcão dos vídeos em que belas atrizes transam com rapazes musculosos, com outras mulheres e com cachorros.
"Eu gostaria de ver o que você tem em lingeries", esclarece a garota, desfazendo parte do suspense que se espalhou num instante pela loja. Um executivo de terno cinza manipula um suposto alongador de pênis fabricado na Alemanha, uma engenhoca que lembra algo entre um tubo de ensaio gigante e uma bomba de encher pneu de bicicleta. O executivo está de costas para a récem-chegada e não faz qualquer movimento desde que ouviu sua voz, segundos atrás. Mas a tensão é desnecessária, porque a garota não olha para canto nenhum. Não olha para mais ninguém, exceto o vendedor.



continua no próximo episódio. Voltem.