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quinta-feira, 10 de abril de 2008

Isabella não morreu!

Isabella não morreu. Mais de uma vez. Isabella não morreu tantas vezes, que é impossível calcular tudo o que morreu no lugar dela. Afinal, matou-se muita coisa para reviver Isabella.

Ninguém liga se um cartão corporativo cai do sexto andar. Cartões corporativos não são crianças. Mas podem estar tirando comida da boca de muitas. Crianças essas que não são Isabella. Porque Isabella não morreu de fome, nem de dengue, nem no tráfico infantil, nem de tiro na favela. Isabella morreu, seja lá do que for, mas vive na Globo, no SBT, na Veja, na internet, em todo lugar.

Se o Brasil fosse um programa de televisão, a morte de Isabella teria resolvido todos os nossos problemas. Porque desde Isabella, muita coisa não acontece. Ninguém mais vende bala no sinal, ninguém mais toma bala de revólver. Ninguém mais rouba do governo, ninguém é roubado por ele. Nenhum político virou corrupto, nenhum corrupto virou político.

Isabella levou consigo todas as boas notícias, e as más também. Mas, por mais trágica que seja, a verdade não morre. E a verdade é que o Brasil não é um programa de televisão e Isabella, é triste, mas Isabella morreu.


A Companhia

Puxou a cadeira e sentou-se.

- Por favor garçon, sente-se aqui.
- Como senhor? não entendi, o que você deseja? nossa casa oferece varios tipos de bebidas.
- Por favor garçon, sente-se aqui, eu não preciso de bebidas.
- Mas senhor eu preciso atender as pessoas.
- Por favor garçon, sente-se aqui dois minutos.
- O senhor está bem? eu ja lhe disse que não posso.
- Por favor garçon, seja rapido e sente-se aqui.


Ele puxou a cadeira e sentou.


- Obrigado Garçon, eu não poderia morrer so-zi...nh.