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domingo, 8 de março de 2009

Dia da mulher

Bom, vi em vários blogs esse assunto hoje e, muitos, estavam "chineleando" o dia internacional da mulher. Dizendo que é um dia meramente comercial, que não deveria existir. Outros blogs enaltecendo a mulher, dizendo que o dia da mulher é todo o dia e, alguns outros poucos, mostrando piadas como "a mulher tem um dia no ano, o homem 364 dias".

Eu resolvi dar uma procurada sobre o verdadeiro dia da mulher. Por que existe e derivados. Muitos não tem a mínima idéia e falam por falar. Pois então, vou explicar.

Todo mundo sabe que dia 8 de março é o dia internacional da mulher, isso é óbvio. Com tantas propagandas toscas por aí. Mas como eu disse, tu sabes o real motivo? Não é meramente uma data comercial, como muitos acreditam, acabou se tornando, mas não é. Existe um fato histórico que justifica tal comemoração.

Em 8 de março de 1857, mais de uma centena de operárias de uma fábrica de tecido de Nova Iorque se mobilizaram na primeira greve conduzida apenas por mulheres. Elas reivindicavam melhores condições de trabalho que, à época, eram sub-humanas, incluíam agressões físicas, sexuais e uma jornada muito extensa.

O pedido era que o tempo de permanência na fábrica fosse reduzido para 10 horas diárias. Para que fossem ouvidas, os afazeres foram interrompidos. A resposta dos patrões e da polícia foi muito violenta e fez com que as mulheres se aprisionassem no estabelecimento. As operárias foram trancadas na fábrica, que foi incendiada, causando a morte de todas elas, carbonizadas.

O dia da mulher se tornou oficial em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, e não se firmou apenas como uma data de presentes e propagandas bonitinhas em todo o mundo, mas como uma proposta de debate e de reflexão sobre o papel da mulher na sociedade, seus avanços e as formas de desvalorização que ainda insistem em persistir.

Até quando?


Menção honrosa às mulheres da minha vida, Cristina (mãe), Camila (namorada) e aquelas que tão sempre comigo me acompanhando e ajudando quando preciso.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Volta as aulas...

... volta as postagens.
Poizé pessoalzinho que me mandou emails e reclamou por eu não ter postado nada no último mês, eu estava de férias, minha cabeça também e, consequentemente, meu blog também. Todos eles. Mas agora eu voltei, e só paro de postar nas próximas férias, até lá pretendo postar (quase) diariamente.
Como minha cabeça voltou a funcionar então eu resolvi voltar a postar, minhas aulas começaram ontem, mas eu tava muito cansado ontem e hoje eu to cheio de idéias.

Primeiro: Vou fazer um cronograma do que postar diariamente
Segundo: Saíram três matérias minhas no maior jornal da faculdade (muuito feeeliz *.*)
Terceiro: Espero que ninguém tenha me abandonado. E que os feeds voltem a funcionar \o/

Começando pelo cronograma, possivelmente ele mude com o tempo, mas inicialmente vai ser assim. Meu cronograma vai ser como um caderno de jornal, só pra manter o clima "jornalístico"
- Segunda - Curiosidades
- Terça - Novidades (e caderno leitura, as vezes)
- Quarta - Capítulos de alguns contos
- Quinta - Crônicas e Poemas (by Uriel)
- Sexta - Noticias pelo país (ou não)
- Sábado - Humor (caderno piadas e figuras)
- Domingo - Retrospectiva futebolística (do que eu me lembrar)

Possivelmente eu pule alguns dias, mas como hoje é quinta, eu vou colocar a crônica que eu escrevi e foi parar no jornal da faculdade. Aproveitem.

BELEZA DEMAIS TEM E SOBRA


Benhê, tô bonita? – Se você já ouviu, ou mesmo disse isso, sabe que, apesar de ser bastante agradável à visão, a beleza pode fazer muito mal aos ouvidos. E ao cérebro. Não que todo bonito seja estúpido ou todo inteligente seja feio. Não é essa a questão. A questão é que a máxima de que “beleza nunca é demais” tornou-se indiscutível. E, bem, talvez seja a hora de colocar um ponto de interrogação na frente dela.

Antes de começar a criticar o estereotipo dos bonitos-acerebrados, pare para pensar: ser bonito não é nada fácil. Nascer bonito sim, é fácil. Mas há muito tempo aquela beleza natural, que não precisa de retoques, deixou de ser suficiente. Os padrões de beleza estão cada vez mais altos e os olhos, mais exigentes. E agradar os olhos alheios é algo que exige muito tempo, paciência, dinheiro e dedicação. Ser o mais bonito então, nem se fala. Ou melhor, fala-se. Fala-se tanto que até Darwin, há mais de um século atrás, falava a respeito.

O homem é um animal (pode parecer uma afirmação óbvia, mas ainda faz doer os ouvidos de muita gente). E como animais dentro de um processo de seleção natural, fazemos de tudo para ser os melhores. Seja o melhor atleta, o mais agradável, o mais inteligente, o mais engraçado ou mesmo, o mais estúpido, todos querem ser o “mais”. Por isso, é natural alguns quererem ser os mais bonitos. Alguns, mas não todos. Quando a prioridade de uma sociedade inteira passa a ser uma só, devemos admitir, há algo errado com a nossa espécie.

Não se pode ser o mais bonito e o mais inteligente. Não se trata de preconceito, trata-se de uma afirmação prática. Para ser o mais bonito você precisa dedicar muito do seu tempo a isso e para ser inteligente também. Posso não ser o melhor em exatas, mas sei que muito com muito sempre dá demais. E talvez, pelo menos no Brasil, esteja começando a faltar pessoas suficientemente “qualquer coisa que não seja bonita”. Por isso, faça um favor à nossa espécie: de vez em quando, volte àqueles primórdios da nossa sociedade, em que a “beleza”, e não a “beleza extraordinária”, bastava. Desse modo você até poderá ser sincero ao responder aquela perguntinha lá em cima do modo mais agradável – Claro que sim, meu bem.


Essa crônica foi escrita no início de março, logo que comecei com o jornalismo e eu tive a ajuda e a correção da minha querida professora Lisete Ghiggi, o jornal foi fechado em março ainda, mas só foi impresso em junho, o que é uma pena :/

domingo, 22 de junho de 2008

Funciona pra alguns...

- Onde você está indo com esse cartaz escrito “Fora Bush”?
- Para uma passeata. Vamos?
- Legal. Onde vai ser?
- Na Avenida Paulista.
- Ah, é lá que ele vai ficar hospedado?
- Não é não.
- E como é que ele vai ver o cartaz?
- Talvez na televisão.
- Ah, vai passar na CNN?
- É provável que não.
- Na HBO?
- Não.
- Na Sony?
- Não. Em nenhuma dessas, ok? Talvez passe na Globo. Está contente agora?
- O presidente dos Estados Unidos assiste a Globo?
- Não sei.
- E nem vai procurar saber?
- Não, não vou. Olha aqui, vai que o cartaz sai na capa de um jornal e a Condoleezza compra um exemplar para o Bush.
- Hum, tudo bem. Se ele souber ler português...
- Se ele não souber, alguém que sabe lê para ele, ok?
- Mas aí ele já não vai estar fora? De que vai adiantar?
- Vai adiantar que ele saberá que nós não gostamos dele.
- Nós quem?
- O pessoal da passeata.
- E porque ele iria querer que o pessoal da passeata gostasse dele?
- Porque nós somos o Brasil.
- O pessoal da passeata é o Brasil? Espera aí, quantas pessoas você disse que vão mesmo?
- Não são muitas. É apenas uma representação do Brasil, entende?
- Mas não é o presidente que representa o Brasil?
- É, mas ele não está fazendo isso direito. Está muito ocupado atendendo os interesses políticos dos mensaleiros.
- E não é errado?
- É.
- Então por que você não faz um cartaz para protestar contra isso?
- Ora, não seja tolo. Até parece que não sabe que esse tipo de coisa não funciona!

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Viver pra morrer? Morrer por viver?

Em 11 de junho de 1963, um homem de saia marchava pela rua. Olhava para a frente com profunda concentração, como fazemos quando nossa mente está ausente. Mas a sua não estava. Completamente consciente de si e transparecendo uma tranqüilidade invejável, o homem, ignorando o tráfego, sentou-se no meio da rua, cruzou as pernas e fechou os olhos. Após alguns minutos de silêncio, o homem agarrou o pequeno galão ao seu lado e se batizou com o conteúdo. Enfim, acionou o aparelhinho em sua mão e colocou fogo em si mesmo. As labaredas atraíram todo um contingente de pessoas, de policiais armados a motoristas curiosos. Mas o que mais surpreendeu a multidão não foi o fogo em si, mas o fato de que, apesar de todo estrago que fazia, consumindo o homem até a morte, ele permaneceu em seu lugar, simplesmente, impassível.

Um dia depois centenas de jornais ocidentais brigavam pela foto do monge vietnamita em chamas, protestando contra o governo de seu país. O objetivo era dar àquele homem a primeira capa e imortalizar seu ato de coragem. Por um dia. Por um dia seus inimigos seriam inimigos do mundo inteiro. Mas apenas por um dia, porque amanhã, depois de desgastado o assunto, estaríamos à caça de outro inimigo, seja ele um seqüestrador de criancinhas, um político italiano ou o governo russo. E assim tem sido há muito tempo por aqui: heróis e vilões descartáveis, uma grande batalha contra sabe-se-lá-quem.

Enquanto esse e outros monges lutam pelo que acham justo, a nós, pobres ocidentais brasileiros, falta contra o que lutar. Não, nós não temos um inimigo em comum. Não saímos por aí ateando fogo em nós mesmos porque não temos coragem. Não fazemos isso porque não temos porquê. Não um porquê de verdade, só um monte de porquês inventados. Nossa luta é contra um assassino de uma vítima desconhecida, contra o seqüestrador de uma criança que jamais encontraremos, contra um governo que achamos mais ou menos. Tudo por aqui é mais ou menos, nada é bom o suficiente pra virar heroísmo. Nada é ruim o suficiente para causar a revolta geral. E a revolta, brasileiros, a revolta é indispensável. Todas as grandes conquistas da humanidade foram feitas na revolta. Mesmo para um monge que viveu na paz, o auge da vida foi na revolta. Afinal, enquanto a paz nos dá um porquê para sobreviver, a revolta nos dá um porquê para morrer. E quem não tem pelo que morrer, não tem pelo que viver.

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Protótipo de um Jornalista

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Vida injusta

Nós não somos donos do Wall-Mart. Nós não herdamos o Wall-Mart quando nascemos. Nós não pegávamos comida de graça no Wall-Mart quando pequenos. Nós não éramos donos do Wall-Mart quando enfrentamos o governo por um pedaço da terra alheia. Também não éramos donos do Wall-Mart quando começamos a plantar laranjas nessa terra. E continuamos não sendo donos do Wall-Mart quando as laranjas deram um lucro pequeno, apenas para nossa sobrevivência.
Mas o dono do Wall-Mart também não nasceu dono do Wall-Mart. E pode-se dizer que permaneceu assim por um bom tempo. Afinal, o dono do Wall-Mart não era dono do Wall-Mart quando aprendeu o valor do trabalho. O dono do Wall-Mart não era dono do Wall-Mart quando vendeu sua primeira laranja. O dono do Wall-Mart não era dono do Wall-Mart quando usou o dinheiro da laranja para comprar mais laranjas. E o dono do Wall-Mart também não era dono do Wall-Mart quando comprou uma fazenda e investiu o dinheiro de suas plantações.
O dono do Wall-Mart nunca foi muito diferente da gente. Pois é aí que percebemos que a única diferença entre o dono do Wall-Mart e nós é o que fazer com as laranjas. Enquanto nós jogávamos as laranjas nos donos do Wall-Mart da vida clamando por justiça, o dono do Wall-Mart usava as laranjas para tornar-se o dono do Wall-Mart. Como a vida é injusta.

domingo, 11 de maio de 2008

Caos

Se existissem verdades irrefutáveis, a mair delas seria essa: o mundo está à beira do caos. Essa frase é um clichê afinal, praticamente todo mundo já escutou isso da boca de alguém. Mas a verdade é que o mundo sempre esteve à beira do caos.
O mundo estava à beira do caos há 2000 anos, ao ser dominado por romanos impiedosos; foi quando surgiu um revolucionário que os enfrentou, arrastando multidões.
O mundo estava à beira do caos quando o revolucionário pacífico foi crucificado;
foi quando surgiram seus seguidores e estabeleceram uma igreja;
O mundo estava à beira do caos quando houve mais de uma igreja e elas passaram a guerrear;
foi quando surgiu um sultão que ganhou a guerra.
O mundo estava à beira do caos quando a época desse sultão acabou, e seu povo começou a guerrear entre si;
foi quando surgiu o presidente de uma grande nação capitalista para tentar apaziguar a guerra.
O mundo estava à beira do caos quando esse presidente traiu sua esposa e feriu os conceitos e costumes de seu povo;
foi quando surgiu um outro presidente fiel e adepto da moral.
O mundo estava à beira do caos quando esse presidente vendeu a alma do seu povo em troca de petróleo;
foi quando surgiu a revolta de algumas nações do terceiro mundo contra ele.
O mundo estava à beira do caos quando o povo de uma dessas nações entrou na miséria;
foi quando surgiu um presidente indigena capaz de entender e lutar por seu povo.
O mundo estava à beira do caos quando esse presidente indigena tripudiou e virou as costas para o maior pais da sua região;
foi quando surgiu um presidente sindicalista e popular desse grande país, que tratou de fazer…nada.
Sim, o mundo sempre esteve à beira do caos, mas nunca chegou lá, porque cada um luta com suas forças para que isso não aconteça.
Dentre todos, há os que usam as armas, o poder e a sabedoria para o bem ou para o mal. É daí que surge o equilíbrio que se espera para que o mundo não entre em colapso. Existe porém, aqueles que preferem não explorar as possibilidades que dispõem: os passivos. E quanto maiores as chances que um passivo tem de colaborar com os outros, maior a sua falha. E quanto maior a falha, mais perto o mundo estará do estado de caos e só assim o clichê se tornará realidade.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Dizem que o governo não faz nada.

- Vai transar?
- O governo dá camisinha.
- Engravidou?
- O governo dá o aborto.
- Teve filho?
- O governo dá o Bolsa-Família.
- Tá desempregado?
- O governo dá Bolsa-Desemprego.
- Não tem terra?
- O governo dá o Bolsa-Invasão.
- Vai prestar vestibular?
- O governo dá o Bolsa-Cota.

Mas tenta estudar e viver por conta própria pra ver o que acontece: o governo te enche de Impostos!

domingo, 4 de maio de 2008

O lápis

Sem eletricidade pela manhã e com uma ótima idéia de um texto, procurei as canetas. Secas, falhando ou soltando tinta demais, sabe como é? E ali estava um lápis que eu não tenho a menor idéia de como surgiu e há quanto tempo. A ponta apontada.
Comecei a escrever com o lápis. Algumas coisas começaram a acontecer na minha memória e no meu coração. Voltei correndo para a Creche Zacaro Faraco e comecei a recordar das primeiras letras, ditadas pro nossa professora, no caderno de caligrafia. Naquela época eu ainda era canhoto. Senti que minha mão ainda fluía bem com o lápis. Além de tudo, é higiênico.
Só que a ponta acaba. E foi com uma afiada faca de churrasco que fiz o serviço. Que prazer fazer a ponta de um lápis. Fiz devagarzinho para não desperdiçar a emoção da minha volta ao passado.
E me lembrei que todos nós começamos a escrever assim. Mas, ainda com sete anos, o sonho era escrever com a caneta. Mas isso era coisa para o pessoal mais velho, do segundo ano. A caneta estourava ou nos riscávamos, estragava as roupas. Voltava imundo para casa. O sonho sempre foi a caneta.
Depois da caneta normal o sonho era a IBM de bolinha(dava para apagar os últimos digitos errados) e depois veio o computador e agora o sonho é um Pentium 5. E o lápis ficou lá atrás. Só que ele não seca, não acaba e não suja.
Aí me lembrei que existiam uns lápis que tinham umas borrachinhas na outra ponta. Para apagar os erros. Não resisti, saí e comprei. Não um, mas vários. E, é claro, um apontador. Não aqueles modernos com manivela, de mesa, mas daqueles pequeninhos, que hoje são de plástico mesmo. Aproveitei e comprei uma caixa de lápis coloridos. Trinta e duas cores. Uma lata bonita.
Aí, não tendo mais o que inventar para brincar, resolvi escrever um texto com letra de forma, escanear e ver se o computador reconhecia meu texto. Não. Não por culpa dele, mas pela minha letra mesmo que, nestes últimos meses, dado ao desuso, e não é apenas o computador que não entende. Afinal, hoje em dia, para que serve escrever à mão? Como para que serve somar ou subtrair se as maquininhas estão aí? Para que serve o curso primário?
É aqui que eu queria chegar. Não adianta o governo testar alunos e professores e universidades. Vai dar sempre zebra. O buraco é bem mais embaixo, senhor ministro da Educação. Vamos voltar ao lápis e ao dois mais dois. Vamos começar pela base. Vamos escrever a lápis. Mesmo por que, se não der certo, a gente apaga e começa de novo.


quarta-feira, 30 de abril de 2008

O Churrasco

Cada vez chego mais à conclusão que não existe nada mais melindroso do que um churrasco caseiro. E, ao mesmo tempo, relaxante. Sim, porque no Brasil, todo mundo entende de duas coisas: ou é metido a ser técnico de futebol ou a fazer churrasco. Têm os que sabem. E têm os outros. E é muito dificil ver alguém fazendo um churrasco e não dar pelo menos um palpite. O churrasqueiro de plantão sabe que, se sucumbir ao primeiro investimento alheio, terá de aturar o chato até o fim da tarde.
Os palpites omeçam na hora de acender o fogo.
- Você não tem aquele negocinho embaixo, que fica pegando fogo?
- Com jornal! Pega os classificados.
- O caderno 2, não!
- Se não abanar, não vai pegar. Vai por mim.
- Colocou muito carvão. Vai sufocar o fogo. Não disse?
- Tá muito alto. Joga água!
- Não falei pra não jogar água? Olha aí, apagou.
- Você é que não abanou. Dá licença?
Fogo pronto, todo mundo já na segunda caipirinha, as mulheres lá do outro lado. Se tem uma coisa que mulher não entende é de churrasco. Participam, no máximo, com a salada e os gritos de: amor, traz mais um pano de prato?
Aí começa os palpites pra valer:
- Se eu fosse você, colocava a línguiça na parte de baixo.
- O quê??? Vai fatiar a picanha? Peloamordedeus, isso é uma infâmia!
- Olha, sem querer ser chato, mas eu acho melhor colocar a gordura para o lado de baixo. Depois virar e não virar mais.
- O problema do lombo é que demora demais. Precisa ficar embaixo. Muita gordura, meu.
- Tá vendo?, pinga a gordura e o fogo sobe. Assim não vai dar. Joga água.
- Limão? Na picanha?
- Aquela lingüiça ali já não está boa? Cadê o pão?
- O que é isso? Salmoura? No meu churrasco, não!
- Mas não fui eu quem ficou de comprar o pão. Graziela! Não tem pão!
- Me dá licença? Posso virar a costela? O que é isso que você colocou aqui? Orégani? Tá doido, cara?
- Salmoura, onde já se viu...
- De peixe eu entendo. Só sal e limão. Não, cara, sal grosso, não. Sal fino. Põe por dentro. Assim ó. Tem papel laminado, não?
Já está todo mundo ali a ponto de enfiar o espeto no colega da faculdade, quando chegam os esfomiados.
- A linguiça já tá pronta?
É quando chega o colega retardatário e, antes de cumprimentar.
- Esse fogo tá muito alto. Com licença. Se tem uma coisa que eu entendo é de churrasco, Ricardo. Deixa comigo. Quem é que tá fazendo a caipirinha? Muito açucar. Tá um melado isso aqui.
- Põe mais carvão, Felipe.
- Queimei o dedo!
- Sei não, eu, por mim, virava essa picanha. Vai torrar, cara.
- Você precisa comprar uma faca melhor. Olha aí. Isso aqui está estragando a carne.
- Karol, cadê a faca boa? Aquela que o seu pai me deu?
- Cuidado que tá quente, guri. Não disso? Não me ouve...
- Mas não tem nem uma manteiguinha para passar na batata, Cassio?
- Graziela!!! Eu já não disse que margarina não server? Olhaí, derrete muito rápido, esfria a batata. Ah, meu Deus do céu!
E por aí vai, até escurecer e o fogo apagar de vez
Existe uma teoria psicanalítica de que quem faz churrasco não precisa fazer terapia. Que os grandes e amadores churrasqueiros são pessoas muito bem resolvidas.
Deve ser verdade, pois colocam avental com uma feminilidade cativante. Ficam - dois ou três homenzarrões abraçados - olhando por horas e horas para o fogo ardente, brigando e discutindo como se fossem marido e mulher. Já notou? Já notou quando um queima o dedo, com que carinho é tratado pelos outros? Já vi barbudo chupar o dedo do outro ali, ao lado das brasas da amizade.
Se não houvesse o churrasco caseiro, os homens seria muito mais tristes, muito mais violentos.
Fazer um churrasco num sabádo(ou domingo) resolve todos os problemas, da faculdade, da firma, do namoro, do casamento, dos filhos e dos amigos. O homem virá um herói de si mesmo.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Quem foi que inventou o abraço?

Me baseando no último post do meu colega Edimar, no seu próprio blog, Blog do Edimar, resolvi escrever uma "crônica" sobre quem inventou os inventos. Não estou interessado nos inventos técnicos e eletrônicos, mas nas coisas do dia-a-dia que a gente faz e não sabe quem criou aquela moda.
O abraço, por exemplo. Você pode notar que isso é coisa do século passado. E não existe em alguns países. Em Portugal, para citar apenas um, é difícil você ver alguém abraçando ninguém tão efusivamente como nas ruas do Brasil.
Dizia ser coisa do século passado, pois a gente vê nos filmes de época, nas gravuras e desenhos de outros séculos que não tinha nada de abraço. Eram cumprimentos formais, no máximo um aperto de mão. Imagine se o Cabral chegou aqui e foi logo abraçando os índios... Isso não existia.
Pois eu descobri a origem do abraço, e é coisa do início do século passado mesmo e teve sua origem (é claro) na Itália. Sim, quem inventou o abraço, destes de grudar o corpo, dar tapinhas nas costas, na barriga, na cintura, apertar mais uma vez, quem inventou isso foram os mafiosos italianos. E sabem pra quê? Davam tapinhas e apalpadelas para ver se o outro tinha alguma arma no corpo. È vero?
Os japoneses até hoje não se abraçam. É que lá o espadachim estava sempre à vista. Então eles se curvavam pra baixo para ver até onde ia a adaga.
Outra invenção interessante é o pente. Mas essa foi fácil de descobrir e não me obrigou a grandes pesquisas, desde o dia que vi, debaixo de um viaduto uma mendiga chique alisando suas madeixas com a ossada de um peixe recém comido. Não deve dar um bom cheiro para às melenas, mas não tenho dúvida que foi aí que tudo começou.
A geladeira, por mais incrível que pareça, foi inventada pelos esquimós. Sim, cada iglu tinha a sua geladeira, movida a lenha, desde o século retrasado. Sabe para que eles usavam a geladeira? Para degelar os alimentos congelados. Verdade!
Já o beijo foi inventado pelos pais que ficam o dia inteiro com o pimpolho nos braços beijando. Depois pedem que joguem beijinhos. Depois começam a beijar pra valer. Como foram também os pais que inventaram o arroto.
As mães não sossegam enquanto o filho não arrotar depois da mamadeira. Ficam pedindo "arrota benzinho, arrota". O benzinho arrota e elas ficam sossegadas. Pouco mais de dois anos depois, a cada arroto que o pobrezinho dá, vem a bronca: "Que coisa feia, menino! Onde foi que você aprendeu essa malcriação?"
A pipoca é coisa do século retrasado e foi descoberta (sem querer) pelos pigmeus africanos que criavam pardais e davam alpiste para eles. Um certo dia, caíram alguns grãos numa ardente frigideira e começou tudo a estalar. Daí para o milho foi um passo. O nome pipoca surgiu porque a tribo se chamava Pipoká. Qualquer enciclopédia (in)decente traz essa explicação decente e verdadeira.
Aquela sobremesa que todo mundo chama de Romeu e Julieta, que nada mais é que a goiabada com queijo, não é invenção dos mineiros, como muitos apregoam. Puro Shakespeare, darling. Como todo mundo sabe, os Montecchio fabricavam goiabada e os Capuleto o queijo de Verona. Eram industriais, ricos e rivais. Romeu e Julieta queriam unir o útil (ou o útero) ao agradável. Deu no que deu. Demorou pouco tempo para os veronenses juntarem a goiabada com o queijo e homenagearem os jovens mais populares da cidade.
O voto também é dessa época. Segundo mestre Aurélio, a origem é latina e vem de votu, que significa (acredite, por favor) promessa. Ou seja, já naquele tempo, dizia Jesus aos seus discípulos: Não dêem seus votos para quem só faz promessas. Acabaram matando ele que, diga-se de passagem, fazia também muitas promessas.
E quem foi que inventou a crônica? Foi o Deus do tempo, o Kronos e que (mais uma vez) Aurélio assim explica: Texto jornalístico redigido de forma livre e pessoa, e que tem como temas fatos ou idéias da atualiadade, de teor artístico, político, esportico, etc., ou simplesmente relativos a vida cotidiana.


quarta-feira, 23 de abril de 2008

Ladrão

Eu não sou ladrão, não senhor. Não ando por aí de terno, gravata e valise na mão. Nem limpo eu ando. Ladrão anda limpo, porque trabalho, trabalho mesmo suja. Trabalho não tem nada a ver com roupa engomada, creme para as mãos, sapato lustrado. E ladrão é aquele cara que não tem mão calejada, respingo de tinta e suor na testa. Isso tudo eu tenho. Se quiser, tire uma foto minha, leve minha roupa como evidência.
Pode checar aí na gravação que eu não falo direito. Isso lá é coisa de ladrão? Ladrão que é ladrão compra educação. Só não exercita com a gente. Mas fala errado na frente de ladrão pra ver. Ele tira sarro do senhor. Isso se ele enxergar o senhor, porque ladrão é meio míope. Só enxerga números – de cédulas, de contas, de eleitores – só números. Eu nem contar sei. Como é que eu vou ser ladrão?
Se o senhor precisar de alguém que confirme que eu sou trabalhador, é só ir lá no bar do Luizão e perguntar para os meus amigos. Porque, o senhor sabe, ladrão não tem amigo. Ladrão só anda com ladrão. É pra caso alguém diga que ali tem ladrão, um apontar o outro. E o pior é que quando gritam “pega ladrão”, é gente como eu que corre.
Eu corro mesmo é porque ladrão adora dizer que a gente é ladrão. Eu pelo menos não sou. E nem é por convicção. É por falta de oportunidade. É o povo que escolhe o ladrão e ninguém me elegeu para isso. É uma pena decepcioná-lo, mas não vai ser o senhor que vai capturar um ladrão. De ladrão escolhido pela gente, só a gente pode cuidar. E se ladrão não liga pra gente, a gente liga menos ainda pra ladrão. Afinal, dá menos trabalho criar um ladrão a cada quatro anos que destruir um por dia. E, no final das contas, não faz mesmo sentido. Pra que tirar a autorização para roubar se foi a gente mesmo que fez o ladrão?

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Progresso! e Ordem?

Nós não andamos por aí pelados. Para falar a verdade, nós nem andamos por aí. Nós dirigimos por aí. Usamos roupas e carros. De marca. E nem dá para questionar a qualidade, porque nós compramos de vocês.
Nós também compramos seus princípios, e pagamos cada centavo. Então, se isso esclarece a sua dúvida: não, nós não trepamos indiscriminadamente. Nossos pais não trepavam indiscriminadamente, nossos avós não trepavam indiscriminadamente e nossos bisavós... bem, desses aí não dá para falar muita coisa. Só conheceram a civilidade de verdade quando vocês chegaram aqui.
Mas não foi só isso que aprendemos com vocês. Seus livros também invadiram nossas estantes e seus hábitos, nosso modo de vida. Portanto, pense duas vezes antes de dizer que levamos vida fácil pois, imitando vocês, descobrimos o quão complicada ela deve ser.
Nós não somos diferentes de vocês. E se domamos nossos instintos e apagamos nossa cultura só para provar isso, não é qualquer gringo de merda que vai dizer que em 500 anos não progredimos nada. Há meio milênio, vivíamos para aprender. Hoje, somos ensinados a viver. Isso, caro amigo, se chama progresso.



quinta-feira, 10 de abril de 2008

Estou perdendo minha letra!

Vocês não tem noção, os únicos momentos que escrevo em uma folha com caneta é na faculdade. O resto é tudo no computador. Primeira vez que estou fazendo uma crônica manuscrita e com certeza guardarei. Por que depois ela passará pro computador pra vocês poderem lê-la.
Acredito que são poucas as pessoas que escrevem seus textos, crônicas, críticas, contos, poemas e outras coisas numa folha e usando caneta. O computador já faz tanta parte da nossa vida, que nos sentimos dependentes dele. Quem nunca pensou em fazer um ctrl c + ctrl v ao estar reescrevendo alguma coisa. Viu? Certamente você já pensou nisso ou em algum outro atalho que o computador nos dá. Existem casos raros como usar o ctrl z para refazer alguma cagada.
Sinto inveja daqueles escritores antigos. Aqueles que não usavam uma BIC, como a minha, mas sim pena e mata-borrão. Vocês sabem o que é um mata-borrão? Não é errorex, liquid paper ou branquinho. Mata-borrão era usado pra secar a tinta acumulada em alguma letra. E as letras deles? Aaah, as letras. Todas bem divididas e metradas. Tinham alguns que ainda enfeitavam, faziam curvas em "ésses" e desenhos em "érres". Esses sim eram artistas, desenhavam, pintavam, escreviam. Verdadeiros mestres.
E eu aqui com minha BIC vou deixando de escrever, com um sentimento nostálgico de que nasci na época errada.


Isabella não morreu!

Isabella não morreu. Mais de uma vez. Isabella não morreu tantas vezes, que é impossível calcular tudo o que morreu no lugar dela. Afinal, matou-se muita coisa para reviver Isabella.

Ninguém liga se um cartão corporativo cai do sexto andar. Cartões corporativos não são crianças. Mas podem estar tirando comida da boca de muitas. Crianças essas que não são Isabella. Porque Isabella não morreu de fome, nem de dengue, nem no tráfico infantil, nem de tiro na favela. Isabella morreu, seja lá do que for, mas vive na Globo, no SBT, na Veja, na internet, em todo lugar.

Se o Brasil fosse um programa de televisão, a morte de Isabella teria resolvido todos os nossos problemas. Porque desde Isabella, muita coisa não acontece. Ninguém mais vende bala no sinal, ninguém mais toma bala de revólver. Ninguém mais rouba do governo, ninguém é roubado por ele. Nenhum político virou corrupto, nenhum corrupto virou político.

Isabella levou consigo todas as boas notícias, e as más também. Mas, por mais trágica que seja, a verdade não morre. E a verdade é que o Brasil não é um programa de televisão e Isabella, é triste, mas Isabella morreu.


terça-feira, 8 de abril de 2008

Os corruptos brasileiros ficaram indignados

Saiu na semana retrasada o relatório de Corrupção Global do ano passado, elaborado pelo grupo inglês Transparência Internacional. A lista dos dez mais corruptos do mundo, deixou os corruptos brasileiros indignados, pra dizer o mínimo. Nenhum brasileiro, entre os dez melhores do mundo! Nenhum!
Acho isto uma falta de consideração com o Brasil e com os nossos profissionais desta área econômica. Ou seja, até na corrupção estão nos passando para trás. Acho que os nossos corruptos deveriam se unir(não em partidos políticos, como alguns já fazem) para criar uma Central Única dos Corruptos e pelejar para que no ano que vem tenhamos dois ou três entre os top ten.
Confesso que, se eu fiquei frustrado com essa derrota vexamatória, imagina os , já corruptinhos, que usam terninhos desde a primeira comunhão. Como explicar ao garoto, qu o pai dele, depois de 50 anos de corrupção ativa, passiva e ininterrupta, ficou fora da lista da corrupção global 2007? Vai ser difícil...
Se eu fiquei indignado com isso, imagina os profissionais da área, como estão se sentindo neste momento. Pessoas que levam a corrupção a sério, que desde o jardim-de-infância se dedicam à corrupção e ao suborno. Profissionais formados, doutorados, eleitos pelo povo e até para presidente da República. Fico imaginando, não só a decepção deles, como também das esposas e dos próprios filhos
- Deixa comigo, garoto, que este ano eu vou arrasar!
Pobres coitados. Até o Fujimori, ex-Peru, um país bem mais pobre que o nosso, está lá, em posição destacada. Nenhum dos nosso... Aquele que você está pensando(ele mesmo) também não entrou.
Mas resta um consolo aos nossos desclassificados corruptos. É que, no final do relatório, eles(os ingleses) citam o Brasil como um dos países que adotaram medidas para combater a corrupção. E relembram aquela lei de 2002 que exige que os candidatos apresentem suas doações de campanha. Inglês é ingênuo, né?
Segundo eles, a barra na América Latina está pesada na Argentina(mais uma vitória dos argentinos sobre o Brasil), Bolívia, Equador, Guatemala, Haiti, Honduras, Panamá e Paraguai.
Meus amigos corruptos, vamos reagir! Perder da Argentina, eu até aceito. Mas Bolívia, Equador, Haiti e Paraguai, é demais. Vocês precisam se organizar. Vocês não têm vergonha na cara?
Se vocês continuarem a negar que têm conta na Suíça ou em outros paraísos, vocês nunca estarão entre os melhores do mundo. Quem faz o levantamento se chama Transparência Internacional, sacou? Vamos passar a treinar três vezes por semana e jogar todo domingo. Eu sei que é necessário muito esforço e concentração para ficar entre os primeiros. Mas vamos conseguir. Vamos nos unir, amigos!
Tu, que roubou tanto de nós, roubou pra contar pra quem? Qual é a graça da tua fortuna se ninguém pode saber?
Vamos nos esforçar, pessoal. Dou a maior força!
E não esqueçam, esse ano tem eleição para prefeito da sua cidade, vamos escolher apenas aquele candidato transaparente, que não nos negue as coisas.


sábado, 5 de abril de 2008

A Bola!

Ninguém da bola para a bola. Não é como a roda. A roda entrou para ahistória no dia em que foi inventada. Existem civilizações que não conheceram a roda. Já pensou nisso? Se eu fizer uma pesquisa rápida aqui, é capaz até ded se descobrir o século em que foi inventada essa coisa tão simples, banal. A roda e sua invenção entraram para a história. Tem tanta importância quanto a pedra lascada e o vale do Silício lá na Califórnia(não que eu saiba o que é isso).
E a bola? Quem foi que inventou a bola? Onde e pra quê? Invenção mais boba, deve ter pensado um grego que passava por ali a caminho de uma sauna.
É impossível tentar entender o mundo sem a roda. Já pensou levar aquelas pedras todas lá no Egito para construir as pirâmides, se não tivesse a roda e sua consequente a carrocinha? E aqui vai a primeira dúvida. Aquele bando de egípcios, entre uma roda uma pedra e outra, não batiam uma bolinha? Não temos registro.
Mas tente, agora, entender o mundo sem a bola. E o esporte. Acho que, fora o automobilismo, as lutas, a esgrima e o boxe, tudo gira em torno da bola. Mesmo que seja uma bola na trave.
Desde a de pingue-pongue até a de basquete(que me parece ser a maior), a bola é a bola e ninguém tasca. A bola com as mãos, com os pés, com a cabeça e até com umas raquetes dando porradas nela. Sempre a bola.
Outra coisa interessante é que a bola não evolui. Nasceu bola e é bola até hoje, ao contrário das rodas que hoje tem de liga-leve e vem até com freio ABS. Tem roda-gigante e até programa de televisão com o nome dela: Roda Viva. Como se existisse uma roda morta.
Voltemos à bola. Me intriga isso: Quem inventou a bola? E mais: Pra quê? A bola de gude, por exemplo. Será que os soldados de Napoleão jogavam bolinha de gude em terreno cheio de neve? Será que, a bola quando inventada, já tinha ar dentro ou era compacta, inteira, de pedra, por exemplo, e era usada só para se jogar lá de cima do castelo na cabeça dos invasores?
Tenho certeza que a bola não foi inventada diretamente para se bater um escanteio. Ou seja, o cara inventou o campo de futebol primeiro, a marquinha do escanteio e alguém disse: "tem que colocar algum troço aqui, que com impulso vai lá para o outro lado, no segundo pau".
Depois um doido inventou uma bola pequena e durinha que uns brancos-avermelhados ficam batendo com um taco para entrar dentro de um buraquinho. Será que o buraquinho foi inventado primeiro e alguém disse: "temos que bolar alguma coisa para entrar aí dentro"?
Sinuca, vôlei, basquete, tênis, futebol, pingue-pongue, handebol,rugby, futebol americano, beisebol, gude, queimada e tudo mais que você lembrar aí.
Eu comecei um parágrafo lá em cima, dizendo que tudo na vida evolui. Menos a bola. Tudo bem, umas eram de couro hoje são de outro material. Mas o jeitão é o de sempre. Tem até uma que é oval, bolação típica de americano que me parece que é pra correr abraçado nela. A de pingue-pongue, por exemplo, é a que mais me impressiona. Como é que colocam aquele ar lá dentro? Deve ser simples, coisa bem bolada, etc. Mas acho esquisito. Não evolui. Não tem bola quadrada, com pedaços saindo de lado, et cetera e tal.
Tem bolas com valores. A bola preta é a 8. A cor de rosa é a 5. Quem foi o cara que definiu isso?
Ela não evolui, mas cria novas expressões. A bola da vez, por exemplo. De repente uma pessoa pode virar, da noite para o dia, a bola da vez.
Veja a importância da bola em nossa vida.
Bater bola. Bom da bola. Certo da Bola. Comer a bola. Dar bola. Entra com bola e tudo. Pisar na bola. Ter bola de cristal(onde já se viu?). Trocar as bolas. Ruim da bola.
E você, leitor, se gostou dessa crônica comente, porque, então, eu to com a bola toda.


terça-feira, 25 de março de 2008

Crônistas e crônicas.

As pessoas acham que é muito fácil fazer crônica, que um cronista é um vagabundo qualquer que não faz nada da vida, que ganha dinheiro escrevendo. Muito dinheiro. Acham que é fácil ser cronista, que qualquer um poderia ser. Não entendem que um cronista, tem que ter humor de uma maneira séria, não entendem que um cronista precisa ter fatos, e criatividade.
Transformar fatos em crônicas é diferente de tranformar fatos em um artigo. No artigo, você explica o acontecido. Na crônica, é contado o acontecido. Você le a crônica e se sente na pele da pessoa, ou simplesmente sente a dor dela, você a interpreta. Quando se lê um artigo, você está apenas entendendo o que aconteceu, não esta interpretando aquele papel.
Fazer crônica é uma arte, e gasta tempo. Muito tempo. Não é apenas sentar e escrever. Tem que fazer uma crítica ao que você está falando. No momento, estou criticando a você, leitor, que deve me achar um vagabundo, por escrever essas coisas. Bobagem. Eu não sou vagabundo não. E ainda por cima, não estou nem ganhando dinheiro publicando isso aqui. Faço porque gosto.
Você também acha o Roberto Carlos vagabundo? Ele é como eu. Mas ao invés de escrever, ele canta. Mas para cantar ele também precisa escrever, e vive só disso. Ganha muito dinheiro, viaja pra vários lugares, faz turnês. Ele também é vagabundo, no seu ponto de vista? Pois então, por que só escritor é vagabundo?
Um cronista precisa interagir com seu leitor, precisa mostrar, com um humor sério, que aquilo está errado, ou certo. Cronistas dependem da sociedade, dependem do cotidiano, precisam viver, para poder escrever. Cronistas não são vagabundos, só mal entendidos.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Verdade

A verdade me incomoda, e muito.

Prefiro uma mentira sincera, como diria o Cazuza, do que uma verdade descarada jogada na cara, essa sim choca, essa sim machuca.

Não me tirem do mundo mentiroso que criei. Estou ciente disso.

A mentira é mais interessante, os acontecimentos, com ela, são mais atraentes, as pessoas mais corajosas e estranhamente verdadeiras quando mentem.

Creio que a mentira e a verdade são vizinhas, amigas de infância, cresceram juntas e se dão muito bem. Dizem que uma mentira repetida várias vezes torna-se uma verdade.

Então... suspeito que sejam irmãs, separadas no nascimento, mas não comente esse assunto, pode ser verdade, ou quem sabe, mentira.

domingo, 23 de março de 2008

Joelho


Eu to com o joelho machucado, desde ontem quando saí pra jogar, hoje fui ao médico e me botaram uma tala, estou impossiblitado de fazer qualquer esporte, dobrar o joelho e coisas parecidas, não sei a quanto tempo vou ficar assim, espero que não muito, porque meu joelho, realmente me faz falta, mas esse não é o assunto principal, pelo menos não o problema no meu joelho, mas o quanto o joelho é importante. Vocês ja notaram isso?
Eu nunca tinha dado muita bola para o meu joelho, mas com ele lesionado, você começa a notá-lo muito mais. Mesmo que não queira, ele está ali, e para te atrapalhar. Você não pode imaginar o quanto o joelho é importante para um vertebrado como nós. É a rótula que nos dá rota, que nos traz e nos leva.
Quando nos machucamos percebemos que não se consegue fazer nada sem ele. Andar mancando é o de menos. O pior é quando se para numa esquina e fico só com a ponta do pé no chão, com a perna meio curvadinha. Parece um travesti no ponto. Ou quando a gente começa a atravessar a rua e percebe que não vai dar tempo pra chegar do outro lado e não dá pra correr!
Até para as necessidades mais íntimas, você precisa do joelho. Tem que se sentar com a perna um pouco esticada, porque não dá para dobrar. Experimente fazer cocô com a perna esticada, alguma coisa não vai sair certo.
Se o sabonete cair no chão, na hora do banho, esqueça. Seus braços jamais chegarão lá embaixo. Enxugar os pés então, nem pense nisso. E, por favor, não tente chutar uma tampinha de refrigerante na rua. Pode ser fatal. Mas a dificuldade maior é de se fazer sexo sem a colaboração total e imprenscindivel (é assim?) do joelho.
Pode parecer bobagem, mas para o ato sexual, o joelho é muito mais importante do que, digamos, o, pênis. Desculpem usar a palavra pênis, é que é uma coisa que só médico tem.. Perguntam: e o pênis, como vai? Como se o pênis fosse um tio da gente. Mas eu dizia da importância do joelho para o ato sexual. De joelhos, por exemplo, nem pensar. Mesmo deitado, virado pra cima, sem o joelho você não faz nada. O joelho é quem comanda, quem faz as inflexões todas, é ele quem dá a pressão, faz os movimentos, é ele quem dirige a ação. É ele quem engata a primeira, é ele quem gira para uma marcha ré mais arriscada.
O resto não faz nada sem o comando do joelho, a principal alavanca do ato em si. O joelho é o responsável pelo ritmo. É o joelho quem dá o tempo certo. E, é nele que você se apoia na hora do orgasmo final e grita. No meu caso, de dor!
É impossível ir até o Estádio Beira-Rio e fugir na hora do problema. Vou apanhar sentado.
É impossivel ir-se até a igreja, aqui perto da minha casa, e ajoelhar-se diante do altar de Deus e pedir perdão por pensar e escrever tanta besteira.
É que a dor é maior que o amor, meu bem.


A Criação

No princípio era o verbo. Palavras, palavras, palavras, diria mais tarde Shakespeare, um homem quase igual a Ele.
Mas Deus ainda não tinha com quem conversar e criou o Homem (Adão, Caim, Nero, Hitler, Bin Laden, Bush e alguns brasileiros) para ficar batendo papo furado. E Deus criou a mulher para ter uma segunda opinião. Mas disse aos dois, que ninguém podia comer maçãs. Afirmou que fazia mal, que tinha veneno e outras bobagens. Santa ingenuosidade. Atiçou o casal. Comeram a maçã. Dizem que nesse primeiro dia, comeram umas seis. Foram expulsos de casa.
E o mundo descobriu que sexo era melhor que comer maçãs no Éden (um lugar com esse nome, não podia dar certo). E começou a sacanagem. Depois do sexo, Deus, só de picuinha, inventou a culpa e a psicanálise. Além do Zoloft, Lexotan, Frontal, Lexapro e o Oleo de Ricino de Bacalhau só para sacanear as crianças, é claro, que Ele iria inventar no dia seguinte...
E ele acordou de bom humor e fez a sua melhor criação: As Crianças. A quem Ele, carinhosamente, chamva de 'meus capetinhas'. Mas as crianças cresceram e viraram gente grande.
E para cada pessoa, Deus criou um lugar. E Deus que, ainda não estava cansado de trabalhar, criou os objetos para por nos lugares. E, com isso, foi enchendo o mundo de coisas. A maioria delas inúteis.
Mas para que o Brasil pudesse ser inventado, criou primeiro o Portugal. E a anedota. Que o Brasil foi criado no sabádo não é novidade pra ninguém. E, depois de comer uma feijoada e tomar umas capirinhas, Deus criou, até que enfim, o Brasil. E colocou os brasileiros aqui. E se você pensa que Ele descansou no domingo, está muito enganado. Ele criou finalmente, a Copa do Mundo.