quarta-feira, 30 de abril de 2008

O Churrasco

Cada vez chego mais à conclusão que não existe nada mais melindroso do que um churrasco caseiro. E, ao mesmo tempo, relaxante. Sim, porque no Brasil, todo mundo entende de duas coisas: ou é metido a ser técnico de futebol ou a fazer churrasco. Têm os que sabem. E têm os outros. E é muito dificil ver alguém fazendo um churrasco e não dar pelo menos um palpite. O churrasqueiro de plantão sabe que, se sucumbir ao primeiro investimento alheio, terá de aturar o chato até o fim da tarde.
Os palpites omeçam na hora de acender o fogo.
- Você não tem aquele negocinho embaixo, que fica pegando fogo?
- Com jornal! Pega os classificados.
- O caderno 2, não!
- Se não abanar, não vai pegar. Vai por mim.
- Colocou muito carvão. Vai sufocar o fogo. Não disse?
- Tá muito alto. Joga água!
- Não falei pra não jogar água? Olha aí, apagou.
- Você é que não abanou. Dá licença?
Fogo pronto, todo mundo já na segunda caipirinha, as mulheres lá do outro lado. Se tem uma coisa que mulher não entende é de churrasco. Participam, no máximo, com a salada e os gritos de: amor, traz mais um pano de prato?
Aí começa os palpites pra valer:
- Se eu fosse você, colocava a línguiça na parte de baixo.
- O quê??? Vai fatiar a picanha? Peloamordedeus, isso é uma infâmia!
- Olha, sem querer ser chato, mas eu acho melhor colocar a gordura para o lado de baixo. Depois virar e não virar mais.
- O problema do lombo é que demora demais. Precisa ficar embaixo. Muita gordura, meu.
- Tá vendo?, pinga a gordura e o fogo sobe. Assim não vai dar. Joga água.
- Limão? Na picanha?
- Aquela lingüiça ali já não está boa? Cadê o pão?
- O que é isso? Salmoura? No meu churrasco, não!
- Mas não fui eu quem ficou de comprar o pão. Graziela! Não tem pão!
- Me dá licença? Posso virar a costela? O que é isso que você colocou aqui? Orégani? Tá doido, cara?
- Salmoura, onde já se viu...
- De peixe eu entendo. Só sal e limão. Não, cara, sal grosso, não. Sal fino. Põe por dentro. Assim ó. Tem papel laminado, não?
Já está todo mundo ali a ponto de enfiar o espeto no colega da faculdade, quando chegam os esfomiados.
- A linguiça já tá pronta?
É quando chega o colega retardatário e, antes de cumprimentar.
- Esse fogo tá muito alto. Com licença. Se tem uma coisa que eu entendo é de churrasco, Ricardo. Deixa comigo. Quem é que tá fazendo a caipirinha? Muito açucar. Tá um melado isso aqui.
- Põe mais carvão, Felipe.
- Queimei o dedo!
- Sei não, eu, por mim, virava essa picanha. Vai torrar, cara.
- Você precisa comprar uma faca melhor. Olha aí. Isso aqui está estragando a carne.
- Karol, cadê a faca boa? Aquela que o seu pai me deu?
- Cuidado que tá quente, guri. Não disso? Não me ouve...
- Mas não tem nem uma manteiguinha para passar na batata, Cassio?
- Graziela!!! Eu já não disse que margarina não server? Olhaí, derrete muito rápido, esfria a batata. Ah, meu Deus do céu!
E por aí vai, até escurecer e o fogo apagar de vez
Existe uma teoria psicanalítica de que quem faz churrasco não precisa fazer terapia. Que os grandes e amadores churrasqueiros são pessoas muito bem resolvidas.
Deve ser verdade, pois colocam avental com uma feminilidade cativante. Ficam - dois ou três homenzarrões abraçados - olhando por horas e horas para o fogo ardente, brigando e discutindo como se fossem marido e mulher. Já notou? Já notou quando um queima o dedo, com que carinho é tratado pelos outros? Já vi barbudo chupar o dedo do outro ali, ao lado das brasas da amizade.
Se não houvesse o churrasco caseiro, os homens seria muito mais tristes, muito mais violentos.
Fazer um churrasco num sabádo(ou domingo) resolve todos os problemas, da faculdade, da firma, do namoro, do casamento, dos filhos e dos amigos. O homem virá um herói de si mesmo.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Todo poderoso Cifrão

hoje eu vou inaugurar uma coluna nova no blog, o nome vai ser curiosidades. Espero que gostem. Começarei com a do título. Vocês sabem quanto custa o centavo?

9 centavos! É isso mesmo, um centavo custa na verdade nove centavos. Mas não é por culpa dos "ingredientes", esses saem por menos de meio centavo no mercado internacional. O que encarece são as etapas de fabricação do produto. A eletrodepoisção do cobre sobre o aço, a cunhagem e a embalagem. Se fizermos as contas, são mais de R$ 93 milhões de prejuízos desde o ínicio do Plano Real. Sorte que esse déficit é amenizado pela produção de cédulas, que são bem mais baratas. O custo de uma nota de um real por exemplo, são os mesmo nove centavos.

As moedas de 1, 5 e 10 centavos, custam mais do que seu valor de face.

Os valores das cédulas.

R$ 1,00 - 9 centavos
R$ 2,00 - 10 centavos
R$ 5,00 - 9 centavos
R$ 10,00 - 10 centavos
R$ 20,00 - 13 centavos
R$ 50, 00 - 10 centavos
R$ 100,00 - 10 centavos

e os valores das moedas?

1 centavo - 9 centavos
5 centavos - 12 centavos
10 centavos - 15 centavos
25 centavos - 22 centavos
50 centavos - 22 centavos
R$ 1,00 - 26 centavos

acho que pagamos demais por nossas cédulas.

Fonte: SuperInteressante

sábado, 26 de abril de 2008

Troca Justa

- Eu quero ser bonito.
- Pois não. Quão bonito?
- Completamente. Quero ser admirado pela minha beleza.
- Hum, isso vai custar caro.
- Você parcelam?
- Sim, mas só tem um detalhe. Precisamos de uma garantia de pagamento.
- Que garantia?
- Seu cérebro.
- Meu cérebro? Eu não vou colocar meu cérebro no prego.
- Então não vai ficar bonito.
- Não tem outro jeito?
- Tem. Nascer bonito, mas vejo que esse não é o seu caso.
- Não diga sem saber. Eu posso ter nascido bonito e ficado assim depois.
- Se fosse assim você não hesitaria em empenhar seu cérebro.
- Por que não?
- Querido, não existe ex-drogado conformado. Não existe ex-alcoólatra conformado. Não existe ex-bonito conformado. Você não pode tirar um vício de alguém e achar que vai ficar tudo bem.
- Ok, eu não sou um ex-bonito e pelo visto não vou ser um futuro bonito. Não vejo vantagens em trocar meu cérebro por beleza.
- Mas têm. Muitas vantagens. Além das óbvias, claro. Por exemplo, a sua beleza terá prazo de validade estabelecido. Dizemos a você exatamente quando ela vai acabar. Já o seu cérebro, ninguém sabe. Já tivemos casos de perder cérebros por desuso em apenas dois anos na nossa caixa de penhor.
- E quando é que o prazo de validade da minha beleza acaba?
- Na velhice. Infelizmente a beleza que vendemos só funciona acoplada à juventude. Mas também não há problemas quanto a isso. Ao comprar a sua beleza o senhor recebe TOTALMENTE DE GRAÇA uma ilusão de juventude e uma ilusão de beleza para usar juntas na velhice.
- Nesse caso é de se pensar. Mas e quando eu acabar de pagar? Posso pegar meu cérebro de volta?
- Pode sim. Só não garantimos que ele estará funcionando bem. Sabe como é, muito tempo parado... o cérebro não é tão forte e durável quanto a beleza.
- Bom, então está fechado. Onde eu assino?
- Aqui. Obrigada.
- Só mais uma dúvida. Que garantia eu tenho de que vocês não venderão meu cérebro enquanto estiverem com ele?
- Não se preocupe, não é do nosso interesse. Se o senhor fechou esse negócio, quer dizer que ele já não vale grande coisa mesmo.